o que significa abaulamento discal l4 l5 e l5 s1

Abaulamento discal L4-L5 dá direito a quais benefícios do INSS?

O abaulamento discal L4-L5 e L5-S1 pode dar direito a benefícios do INSS, como o auxílio por incapacidade temporária e a aposentadoria por incapacidade permanente, mas só quando a condição impede a pessoa de trabalhar.

Esse é o ponto que quase ninguém explica: o INSS não paga pelo diagnóstico no exame, e sim pela incapacidade que ele causa. Ter o abaulamento no laudo não garante o benefício sozinho.

Neste guia você vai entender o que é o abaulamento discal, quando ele é grave, se dá para trabalhar com essa condição, quais benefícios existem, como pedir (inclusive pelo Atestmed) e o que fazer se o INSS negar.

O que significa abaulamento discal em L4-L5 e L5-S1?

Abaulamento discal é quando o disco que fica entre duas vértebras se achata e se projeta um pouco para fora do lugar, como um pneu murcho que estufa nas laterais. Esse disco funciona como um amortecedor da coluna, e com o tempo ele perde altura e “escapa” além da borda normal.

As siglas indicam o local. L4-L5 é o espaço entre a quarta e a quinta vértebra lombar, e L5-S1 é o espaço entre a última vértebra lombar e o osso sacro. Ficam na parte de baixo das costas, que aguenta o maior peso do corpo, por isso são as regiões mais afetadas.

Qual a diferença entre abaulamento discal e hérnia de disco? É uma questão de intensidade. No abaulamento, o disco se projeta de forma difusa, mas continua inteiro. Na hérnia de disco, ele se rompe e o núcleo (a parte gelatinosa de dentro) vaza para fora. O abaulamento costuma ser um estágio mais leve, que pode ou não evoluir para uma hérnia.

As causas mais comuns são o desgaste natural da idade, o esforço físico repetitivo, o excesso de peso e a má postura. Nos exames de imagem, aparece geralmente com o código CID M51, usado para os transtornos dos discos lombares.

Um ponto importante para não se assustar: o abaulamento é um achado muito comum em ressonâncias, inclusive em pessoas sem dor nenhuma. Muitos especialistas lembram que, sozinho, ele nem sempre é sinal de doença. O que importa, para a sua saúde e para o INSS, são os sintomas que ele provoca.

Abaulamento discal tem cura? Na maioria dos casos, não se fala em cura, e sim em controle. O tratamento costuma começar pelo conservador, com fisioterapia, exercícios de fortalecimento, medicação para dor e mudança de hábitos. A cirurgia fica reservada para os casos graves, com compressão de nervo que não melhora. A boa notícia é que grande parte das pessoas melhora bastante e volta à rotina com o tratamento certo.

Quando o abaulamento discal é grave?

O abaulamento discal se torna grave quando passa a comprimir estruturas nervosas, ou seja, quando o disco projetado pressiona a medula ou as raízes dos nervos que saem da coluna.

Nos laudos, isso costuma aparecer com expressões como “abaulamento tocando a face ventral do saco dural”. Em palavras simples, o saco dural é o envoltório que protege a medula e os nervos; a face ventral é a parte da frente dele. Quando o disco toca ou pressiona essa região, pode “apertar” os nervos e gerar sintomas fortes.

Os sinais de que o quadro ficou sério incluem:

  •       dor intensa e persistente na lombar, que não melhora com repouso;
  •       dor que irradia para as pernas ou glúteos (a conhecida dor do nervo ciático);
  •       formigamento ou sensação de dormência nas pernas e pés;
  •       perda de força nas pernas e dificuldade para caminhar ou ficar em pé por muito tempo.

Quando esses sintomas aparecem e limitam a rotina, o abaulamento deixa de ser um simples achado de exame e passa a ter peso, tanto no tratamento quanto na análise de um benefício.

Sinal de alerta que exige socorro imediato: se surgir perda de controle da urina ou das fezes, dormência na região entre as pernas ou fraqueza súbita e forte nas duas pernas, procure um pronto-socorro na hora. Pode ser a síndrome da cauda equina, uma emergência que precisa de cirurgia rápida para evitar sequelas permanentes.

Quem tem abaulamento discal pode trabalhar normalmente?

Depende de dois fatores: a intensidade dos sintomas e o tipo de trabalho. Muita gente com abaulamento leve segue a vida normal; outras, com dor forte, ficam impedidas de exercer a profissão.

O tipo de trabalho pesa muito. Quem faz esforço físico sente muito mais o problema. É o caso, por exemplo, de:

  •       pedreiros e trabalhadores da construção, que carregam peso o dia todo;
  •       motoristas, que passam horas sentados na mesma posição, com vibração;
  •       faxineiros e domésticas, que se abaixam e fazem força repetida;
  •       trabalhadores rurais e de estoque, que levantam e movimentam cargas.

Para essas profissões, a mesma lesão que seria tolerável em um trabalho de escritório pode se tornar incapacitante. E é justamente aí que entra o direito ao benefício: o INSS analisa se a pessoa consegue ou não continuar exercendo a sua atividade. Quando a resposta é não, nasce o direito a um benefício por incapacidade.

Existe ainda um caminho no meio termo, que pouca gente conhece: a reabilitação profissional. Quando a pessoa não consegue mais exercer a função antiga, mas ainda pode trabalhar em outra mais leve, o INSS pode oferecer um programa de reabilitação, com curso e adaptação para uma nova atividade. Durante esse período, o segurado continua recebendo o benefício. É uma alternativa comum antes de o INSS conceder a aposentadoria por incapacidade permanente.

Quais são os benefícios do INSS disponíveis para abaulamento discal L4 L5 e L5 S1?

O diagnóstico de abaulamento pode dar acesso a diferentes benefícios, conforme o grau da incapacidade. Veja cada um:

Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença)

É o benefício para quem fica temporariamente impedido de trabalhar, por mais de 15 dias. Serve quando há chance de recuperação, com tratamento ou cirurgia. Para saber tudo sobre ele, veja nosso guia sobre o auxílio-doença.

Aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez)

É para quem fica permanentemente incapaz de trabalhar, sem perspectiva de reabilitação para outra função. Responde à dúvida comum “um paciente com abaulamento L4-L5 pode se aposentar?”: sim, mas apenas nos casos graves, em que a perícia confirma que a pessoa não tem mais como exercer nenhuma atividade. Entenda melhor na página sobre a aposentadoria por invalidez.

Auxílio-acidente

É uma indenização mensal para quem, após um acidente, fica com uma sequela que reduz (mas não elimina) a capacidade de trabalho. Saiba como funciona o auxílio-acidente.

BPC/LOAS

Para quem não contribui para o INSS e está em situação de baixa renda, existe o BPC. Ele não exige contribuição, mas depende de dois requisitos: a comprovação da deficiência de longo prazo e a renda familiar por pessoa de até 1/4 do salário mínimo (R$ 405,25 em 2026).

Quanto paga cada benefício?

Os valores seguem regras próprias. O auxílio por incapacidade temporária paga 91% da média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994. Exemplo: se a média é R$ 2.000, o benefício sai em torno de R$ 1.820.

Já a aposentadoria por incapacidade permanente parte de 60% da média + 2% para cada ano de contribuição acima de 20 (homens) ou 15 (mulheres). Só chega a 100% quando a incapacidade vem de acidente de trabalho ou doença profissional. Nenhum benefício fica abaixo de um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026).

Atenção ao requisito da carência: para o auxílio por incapacidade e a aposentadoria por incapacidade, é preciso ter, em regra, 12 contribuições mensais ao INSS antes do pedido. Essa carência é dispensada em caso de acidente, mas o abaulamento discal não entra na lista de doenças que isentam a carência.

Como solicitar benefício por abaulamento discal L4 L5 e L5 S1?

O pedido é feito pela internet, no Meu INSS. Veja o passo a passo:

  1.     Reúna os laudos, exames e atestados que comprovem a incapacidade (a lista completa está no próximo tópico);
  2.     Acesse o Meu INSS com seu CPF e a senha gov.br, ou ligue para a Central 135;
  3.     Escolha “Novo requerimento” e selecione o benefício por incapacidade;
  4.     Anexe os documentos médicos e escolha entre a perícia presencial ou a análise documental (Atestmed);
  5.     Acompanhe o resultado pelo próprio Meu INSS.

O que é o Atestmed? É a análise dos atestados sem perícia presencial: o perito avalia só os documentos enviados pelo Meu INSS. Uma regra atual (Portaria Conjunta MPS/INSS nº 43, de setembro de 2026) permite conceder o benefício por até 90 dias por essa via, somando todos os períodos. Se a incapacidade continuar depois disso, aí sim é preciso marcar a perícia presencial. Para o Atestmed dar certo, o atestado precisa ter seu nome, a data, o diagnóstico ou o CID, o tempo de afastamento e a assinatura e o registro do médico.

No caso do BPC, há etapas a mais: além do requerimento, é preciso estar inscrito no CadÚnico e passar por duas avaliações, a médica e a social (feita por um assistente social do INSS).

Como comprovar a incapacidade no INSS por abaulamento discal L4 L5 e L5 S1?

A regra vale a pena repetir: o que se comprova não é o abaulamento, e sim a incapacidade que ele gera. Por isso, os documentos precisam mostrar o impacto na sua vida, não só o nome da lesão. Leve para a perícia:

  •       laudo médico detalhado: com o CID, a descrição dos sintomas e, principalmente, a informação de que você está incapaz para o trabalho e por quanto tempo;
  •       exames de imagem: a ressonância magnética é o principal, pois mostra o abaulamento e se há compressão dos nervos; radiografias e tomografias ajudam;
  •       relatórios de tratamento: comprovantes de fisioterapia, sessões, infiltrações ou indicação de cirurgia;
  •       receitas de medicamentos: analgésicos e anti-inflamatórios de uso contínuo mostram a persistência da dor;
  •       documentos do trabalho: que mostrem a sua função e o esforço físico exigido, ligando a lesão à sua atividade.

Uma dica que faz diferença: peça ao seu médico um laudo que descreva o que você não consegue mais fazer (ficar em pé, carregar peso, abaixar), e não apenas o diagnóstico. É essa descrição funcional que convence a perícia.

O que fazer se o meu benefício for negado?

Ter o pedido negado não é o fim. É comum o INSS negar benefícios por incapacidade alegando que não há incapacidade ou que falta documentação. Você tem alguns caminhos:

  •       Entenda o motivo: veja a carta de indeferimento no Meu INSS para saber por que o pedido foi negado;
  •       Recurso administrativo: é possível recorrer ao Conselho de Recursos da Previdência Social, em regra no prazo de 30 dias, e o caso é reanalisado por outra equipe;
  •       Novo pedido: com laudos mais completos e atualizados, você pode dar entrada novamente, reforçando a prova da incapacidade;
  •       Ação judicial: boa parte dos benefícios por incapacidade negados é concedida na Justiça, onde uma perícia independente reavalia o caso.

Em todos esses caminhos, contar com um advogado especialista em direito previdenciário aumenta bastante as chances de reverter a decisão, porque ele sabe quais provas fortalecem o pedido.

Conclusão

O abaulamento discal L4-L5 e L5-S1 pode, sim, dar direito a benefícios do INSS, mas o que decide não é o diagnóstico no exame, e sim a incapacidade que ele causa para o seu trabalho.

Por isso, os pontos que mais importam são: mostrar os sintomas e as limitações com laudos bem detalhados, ligar a lesão ao esforço da sua profissão e escolher o benefício certo para o seu caso, seja o auxílio temporário, a aposentadoria por incapacidade ou o BPC.

Se o pedido for negado, não desanime: o recurso e a via judicial revertem muitos casos, sobretudo quando a prova da incapacidade é bem construída.

Está com dor na coluna e dificuldade para trabalhar, ou teve o benefício negado? A nossa equipe analisa o seu caso, organiza a documentação e busca o melhor benefício para você. Clique aqui e fale com um especialista.

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Autor

André Beschizza Lopes, advogado, especialista em direito previdenciário, formado em direito no ano de 2008 na FIPA – Faculdades Integradas Padre Albino em Catanduva-SP, sua cidade natal.

Pós-graduado em prática previdenciária, além de possuir diversos cursos na área como curso de Direito Previdenciário Rural e também inúmeros cursos de especialização em Direito Previdenciário (Profissionais da saúde, Regime Próprio de Previdência Social e Empresarial Previdenciário).

Iniciou em meados de 2004, durante a vida acadêmica a experiência no Direito Previdenciário, apaixonando-se por este digno ramo do direito.

Com muita determinação, muito trabalho e um sonho, em Agosto de 2012 fundou o escritório especializado em Direito Previdenciário na cidade de Caetite (BA).

Através de muito profissionalismo, dedicação e inovação, o reconhecimento do trabalho foi além dos horizontes, expandindo a todo Estado da Bahia, e, também, em algumas regiões do Brasil.

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